SUBSISTÊNCIA E RIQUEZA OCULTA: A Água e a Cestaria

Educação 17/07/2026 11:30 | 42 visualizações 3.0 • 1

SUBSISTÊNCIA E RIQUEZA OCULTA: A Água e a Cestaria
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Além do rio e do palmito, Dorival, filho caçula de Dona Ana, destacou uma terceira grande riqueza que abastece e dá nome à localidade: água. A matriarca estima que o Ribeirão da Anta abriga mais de 80 nascentes e vertentes graúdas — passando facilmente de 100 se contabilizadas as menores —, que brotam das juntas da serra e alimentam continuamente a região.
Inicialmente por pura necessidade prática, Dona Ana aprendeu a arte de trançar taquaras e bambus, tradição artesanal que mantém viva até hoje em sua oficina, onde confecciona peneiras com aro e cestinhos variados vendidos a preços populares.

SOBREVIVÊNCIA

A alimentação nos primórdios do Ribeirão da Anta baseava-se estritamente no manejo e na caça de subsistência. Como não havia gado, a “carne de vaca” da comunidade era a própria anta. A dieta era complementada com folhas nativas, como a serralha (motivo de frequentes disputas familiares bem-humoradas sobre quem iria colher), e aves da fauna silvestre, como jacutingas, jacus-açus, inhambus, macucos e urus.

 

DA ENFERMIDADE À CURA

Quando tinha 11 anos, Dona Ana enfrentou um período de forte enfermidade, sentindo-se muito tonta e sem coragem sequer para andar. Diante dessa situação, sua mãe, Mariana, pediu ao Padre João, próximo à familia, que a visitasse em sua casa para vê-la.
Após realizar uma oração por ela, o sacerdote proferiu uma profecia direcionada à mãe, afirmando que ela estava de parabéns porque sua filha seria curandeira e possuía um dom de cura dado por Deus.
O padre assegurou que, assim que completasse 12 anos, a menina poderia começar a realizar orações para crianças desenganadas pelos hospitais e que elas seriam curadas, o que se confirmou por diversas histórias da matriarca e família.

Com uma mente sã e transbordando carisma, Dona Ana encerra suas memórias reforçando o orgulho de sua história e de seu filho caçula, Dorival, que desde menino corria da escola diretamente para a roça para ajudá-la na lida diária, mantendo vivo o respeito pelas raízes do Ribeirão da Anta.

 

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